13.9.07

CONHECENDO GOJIRA


Quem curte ficção científica japonesa sabe a confusão que era para conseguir as versões originais dos filmes. Haviam vários motivos para isso: a Toho não liberava sua versão original para lançamento no Ocidente (com medo de que os japoneses comprassem os laserdiscs e DVDs 'importados', mais baratos), os discos japoneses não tinham legendas em idiomas ocidentais, os discos que nós conseguíamos (norte-americanos, argentinos ou ingleses) normalmente continham as versões mexidas pelas produtoras americanas, que deixavam todo mundo falando como se fosse desenho animado (isso prá não falar num VHS argentino que eu consegui de um filme da série, dublado em castelhano...)... juntando isso, os primeiros laserdiscs japoneses que saíram, que eram caríssimos (150 dólares por cabeça), tinham versões reduzidas dos filmes, de aproximadamente uma hora, feitas para exibição na TV e em matinés... imagina a 'alegria' de comprar um filme por 150 dólares e descobrir que faltavam 40 minutos nele (nunca passei por isso, mas um amigo gringo pagou 500 dólares por uma caixa com 5 destas versões, e ficou semanas chingando a tudo e a todos na Toho) ... por isso que os DVDs lançados pela Sony/Classic Line, com as duas versões dos filmes, estão sendo tão comemorados. São o Graal para os completistas: a versão original japonesa (legendada!!!), a dublagem americana (com comentários de experts, explicando os porquês das mudanças), trailers, documentários... tudo por um preço camarada (ao redor de 20 dólares por filme).

O Godzilla original, dirigido por Ishiro Honda, é nada mais nada menos que uma obra-prima. Me lembro quando exibi-o no Raros, há uns dois anos atrás... boa parte do pessoas esperando um trashão e depararam-se com um filme belíssimo, forte, uma metáfora sobre a explosão da bomba atômica ... em muitos momentos, quando se mostra o que sobrou da cidade após a passagem de Godzilla, e em especial quando aparecem umas crianças contaminadas com energia atômica... a tocante trilha de Akira Ifikube também surpreendeu os presentes, por sua beleza e efetividade. Gojira está em minah lista de grandes filmes de horror. A versão americanizada, por mais que amenize muitas destas qualidades, é séria e circunspecta (algo que não ocorreria nas produções posteriores), com Raymond Burr fazendo o papel de correspondente americano em Tóquio durante a passagem de Godzilla.


Dentre estes DVDs, a versão mais modificada é a do segundo filme, 'Godzilla Raids Again'. Como uma produtora americana teve a brilhante idéia de lançá-lo como 'Gigantis: the Fire Monster' a dublagem teve que literalmente se virar para substituir os diálogos da versão japonesa sobre o retorno de Godzilla. As duas tem o mesmo tempo (80 minutos), mas a versão americana começa com 5 minutos de 'stock footage' de explosões atômicas, aviões decolando e um narrador falando sobre os perigos da tecnologia. Entre outras vozes que conhecemos das dublagens de filmes italianos e franceses dessa época destaca-se a do jovem George Takei, o comandante Zulu de Star Trek.
UMA POESIA


Vamos ver se algum dos meus cinco leitores vai descobrir de onde tirei essa poesia japonesa. Quem me conhece não vai ter muitos problemas para descobrir de onde veio isso...

Oshidori

Hi Kururéba
Sasoëchi mono wo -
Akanuma no
Makomo no Kuré no
Hitori - zé zo uki

Traduzido por mim do inglês...

Quando chegou o entardecer
Convidei-o para retornar comigo
Agora dormirei só na sombra do Akanuma
Que miséria indescritível...

Comments:
Como um dos cinco leitores que não te conhece pessoalmente, e também, não sou conhecedor de poesia japonesa, chuto no Mishima!

Quanto ao Godzilla, vou procurar essas versões, pois nunca vi o primeiro filme original...
 
Não é Mishima... procure o Godzilla original, não vai se arrepender.
 
Teria esse enigma poético algo a ver com o ONIBABA do Kaneto Shindo???
 
Tá no caminho certo, Carrard... é 'o outro'...
 
KURONEKO ???
 
Não... resposta no post acima...
 
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