4.1.07

ELES VIERAM DA CORÉIA...


Quem diria... até a segunda metade dos anos 90 o cinema coreano era motivo de piada entre os fãs de filmes asiáticos. Faziam os filmes de horror mais toscos e burros daquela região, iam para lá atores que caiam em desgraça na China e na Tailândia... foi com surpresa que começamos a testemunhar o aparecimento de filmes bacanas vindos de lá. Primeiro (Whispering Corridors) parecia um acidente, com o tempo a quantidade e diversidade de filmes legais vindos daquela parte do mundo teve que ser reconhecida. Hoje vou resenhar três, que chegaram às minhas mãos há pouco tempo.

O GOSTO DA VINGANÇA

Até filmes de gangster se aprendeu a fazer na Coréia... e dos bons. Oldboy não foi um acidente, então... resumindo um roteiro do qual se deve divulgar o mínimo possível, um capanga de um gangster recebe como missão cuidar da namorada de seu chefe, e descobrir se ela tem um amante. Tudo vai bem (ele flagra os dois, dá uma surra nele e diz que se pegar os dois junto de novo atira neles), até o chefe voltar e resolver, sem explicar muito bem a razão, que tem que dar uma surra nele. Digamos que ele não acha lá muita graça da situação e resolve devolver para o chefe na mesma moeda...
Sensacional. Variado, começa como um filme classudo e vai ficando cada vez sujo e irracional, terminando num tiroteio de fazer inveja a John Woo em seus dias de Hong Kong. Sensacional.

THE HOST


Uma resposta para quem, como eu, reclamava que os orientais não estavam mais fazendo kaiju eigas (filmes de monstros gigantes)... e , como eles bem gostam, misturando gêneros distintos. Aqui temos a saga de um monstro, criado quando uma base americana deixa escapar lixo radioativo.

Tudo funciona: o monstro é MUITO feio (como tem que ser), a ação é constante, a mistureba de gêneros gera uma impressionante alternância de climas (tensão, humor...), e, coisa rara no gênero, sente-se muito a perda de vidas humanas na passagem do bichão. Está sendo exibido nos cinemas em todo o mundo civilizado, basta torcer para chegar por aqui.

R - POINT

Uma mistura de gêneros que só os orientais sabem fazer: filme de guerra, de ação e de horror!!! Um pelotão é enviado ao tal Ponto R do Vietnã (equivalente, em fama, ao Triângulo das Bermudas) para descobrir o que ocorreu com uma tropa enviada para o mesmo local algum tempo antes. Aos poucos, os soldados começam a notar, ham, estranhas presenças no local, assim como tropas francesas, americanas e vietnamitas que também passaram por lá e não voltaram. Ao notarem que estas presenças tem o estranho poder de enlouquecer todos que convivem com elas, eles reparam que vão ter que lutar contra tudo e contra todos para conseguirem retornar com vida ao seu pelotão... como eu já disse, há uma bela duma mistureba de gêneros, que para surpresa geral funciona. O clima é tenso, quase não se explica nada (bem como eu gosto) e há farta distribuição de um certo líquido vermelho que não deve faltar nos filmes de nenhum dos gêneros emulados. Ótimo.


Comments:
OI Don Thomazzo. É verdade, me lembro de uns dez anos atrás na Mostra Internacional de Cinema de SP passaram uns filmes coreanos ruins de doer, mas de repente, mais graças a filmes como Old Boy e A Tale of Two Sisters a coisa teve uma guinada e parece que eles não vão parar tão cedo de nos dar obras geniais como The Host e A Bittersweet Life. O R Point eu tenho muita curiosidade de ver, ele fez muito sucesso entre fãs de filmes de horror e afins, principalmente os europeus. Belo Post meu amigo, Livramento está sendo um lugar inspirador pelo jeito.
 
Thomaz, temos três razões principais pro crescimento do cinema sul-coreano:
- o crescimento econômico fez com que o público tivesse dinheiro, inclusive pra ir ao cinema. Aí então pararam de fazer filmes financiados pelo governo e começaram a fazer os filmes pro povão. O resultado? Como agora quem finaciava era o poder privado, não mais o público, os filmes tinham de ser feito por gente boa, que precisava arrecadar dinheiro, e não os sobrinhos e amigos do ministro da cultura local (certa semelhança com um certo país latino-americano que fala português?). E, pra arrecadar dinheiro, antes de tudo, o filme tem que ser BOM. Daí essa valanche de obras de arte
- Houve uma remasculanização no cinema coreano. Com o fim da ditadura (e dos filmes financiados pelo governo), sairam de cenas os modorrentos e folhetinescos roteiros que visavam as mulheres velhas que ficavam o dia inteiro vendo televisão (isso sem contar com aqueles horrorsos filmes de arte). Parece outra característica daquele país latino-americano supra-citado, não?
- A crise criativa do cinema americano fez com que o cinema mundial tomasse uma força tremeneda nesses ultimos anos (vide os filmes de ação feitos na França, os da Tailândia, os dramas e thrillers argentinos, melodramas e comédias chilenas, etc). Infelizmente ainda tem uns "Arido Movie" e "Brasilia 18%" desse país aí, mas quem sabe isso não muda?

Recomendo também "Memórias de um Assassinato" e "Silmido", os dois coreanos, os dois disponíveis aqui no Brasil, os dois altamente recomendados (o primeiro é um thriller genial do mesmo diretor de "The Host", o segundo um drama de guerra com bastante ação nos mesmos moldes de "Os 12 Condenados" e "Os Canhões de Navarone")
 
Oi.

Eu gostei muito do filme MEDO, que originalmente é chamado de A tale of two sisters. Muito bom!

Abs
 
É bom dizer, o cinema sul-coreano tem sim algum tipo de proteção do governo, q. é a reserva de tela, por mais q. os filmes estejam dando dinheiro, se o distribuidor estiver livre prá escolher, seja por força de lobby, seja por interesse econômico, irá acabar sp. nas mãos dos americanos e... os americanos já estão lidando com esse tipo de "problema", no caso da Coréia do Sul, eles tem trabalhado para a alteração das leis q. garantem essa cota de tela e q. é o q. sustenta e estimula a iniciativa privada, vale lembrar, independente de se questionar o valor artístico, a famigerada pronochanchada, assim como seus correlatos nos anos 70, estavam calcados em lei similar q. vigorava em certo pais da América do Sul e q. fala português. Estranha coincidência!!! Importante destacar o excepcional texto de Andréa Ormond do blog "Estranho Encontro" http://www.estranhoencontro.blogspot.com/, q. aborda esse cinema popular feito no tal País latino nos anos 70 e não me venham falar q. era mal feito, se o referêncial de bem feito é o modelo americano, então foda-se o cinema sul coreano e q. os americanos tomem conta do mercado deles! Cinema de culhão é tipo o q. Amando Ossório fez na Espanha, mas vale dizer, acho sim, q. há força no cinema sul coreano, mas vamos babar menos ovo!
 
Carrard, eu me lembro que as revistas tipo Watchdog e Fangoria já começavam as resenhas de filmes coreanos detonando (esses cabras não aprendem mesmo...). de uns anos prá cá tudo mudou. Os ares de Livramento fazem bem, mas não ter que bater ponto e ficar preso das 9 às 6 ajuda também...

Leopoldão, valeu pela sua explicação, responde várias perguntas que eu tenho me feito. Se até a Argentina tem feito filmes legais, por que não nóis... o filme do serial killer eu já vi, é sensacional, bem diferente do modelo americano que tanto temos visto (e que não sai do lugar há anos). Anotei o nome do outro.

Maitê, o filme é MUITO legal, um dos melhores do gênero nos últimos 10 anos. Recomendo também a refilmagem deles de Ringu, chamada Ring Virus, que surpreendentemente é ótima e relevante.
 
Edu, não me lembro de termos questionado o valor dos filmes da época da pornochanchada (não no meu blog, pelo menos), concordamos (acho que falo por você) que foi um dos ápices criativos de nosso cinema, e que a sequência de filmes produzidos pela Globo, que parecem especiais de TV, são brochantes. Me diga aonde eu assino para termos um ciclo de filmes (e cineastas) como aqueles de novo. Não sei se vai ser por reserva legal de tela, idealmente eu prefiria que não, mas se não fazemos nada os gringos dominam e aí são 500 cinemas passando filme ruim do Brad Pitt com a Angelina Jolie e um, escondido, passsando um filme do Carlão. Segue a busca da fórmula ideal...
 
Fala Thomaz!!! Faltou dizer q. adorei o 'post' e tb. sou fã do cinema sul coreano, em especial do cara q. fez "O Gosto da Vingança" e "Mêdo", mas o meu desabafo teve a ver com o 'comment' do Diogenes, algo meio forçado ao meu ver. Concordo q. é necessário um cinema comercial e q. esse tipo de cinema será mais democrático no sentido de dar espaço a. qm. realmente tem talento e não apenas aos apadrinhados, o q. me irritou foi essa falta de informação q. parece de um deslumbrado q. descobriu a pedra filosofal!

Podem ter certeza, não basta fazer filmes comerciais e "bem feitos" prá se chegar ao público, ou será q. alguém desconhece q. "Bollywood" é o q. é pq. o cinema americano não entra lá em fç. de reserva de mercado.

É preciso entender q. uma indústria só se estabelece qdo tem algum tipo de proteção na sua formação, como isso nunc ocorreu de fato por aqui, apenas com ações paliativas, essa indústria não se firmou e daí temos o atual estado de coisas q. visa apenas contentar filhinhos de papai, qto a isso, o Diogenes está certo!
 
Thomaz,
Vale também ir atrás dos filmes de ação que Hong-Kong vem produzindo ultimamente . O único que eu não conbsigo gostar é "Conflitos Internos", que eu acho um bom roteiro desperdiçado numa direção claudicante e sem empolgação.
Edu,
Não lembro de em nenhum momemto, nem desse post nem da história, ter falado mal de pornochanchada - aliás, quem me conhce sabe que eu AMO pornochanchada e quando passa de beeeeeeeem de vez em quando lá no Cinusp uma ou outra saiba que tem o toque e a encheção de saco desse aqui que voz fala. E lá na Coréia do Sul há sim a reserva de tela (como em TODO país - salvo a França, que não precisa - onde o cinema nacional faz sucesso), mas isso eu jamais vou condenar, o que eu condeno é governo escolher a dedo os "filmes" que vão ser produzidos e que, atualmente, 99% só dá merda. E sobre Bollywood , o problema está mais focado na censura local, já que na India um filme com beijo na boca, SE passar pelo censores, tem censura de 21 anos (o mesmo pra China, que chega a vetar super-produções locais como "Exiled"). E se você fala que a produção de Bollywood é precária é porque leu demais sobre bollywood mas de fato não viu muita coisa, já que desde que a tecnologia da informática viabilizou qualidade técnica pros que não tem um mega-orçamento (meados de 2000, +-) as produções indianas tem apresentado um aspecto técnico de nível internacional. Aquela resposta indiana ao "Moulin Rouge" tem uns efeitos de computação gráficos fudidos. Obviamente que se você escolher uns 15 pobrinhos dentre os 4 mil produzidos por ano (como devem fazer por aí) obviamente vai achar a produção de lá muito caseira
Voltando ao Brasil, vale citar que produções que foram muito malhadas pelo pessoal "cabeça" que rege (infelizmente) o cinema nacional - "A Máquina", "O Ano em que Meus Pais Sairam de Férias", etc. - fazem parte do minúsculo grupo de filmes aceitáveis (não falei "Bom" falei "aceitável", note) que estrearam no Brasil desde, sei lá, 2002.
Vale notar que se o cinema nacional fosse tão bom quanto os ufanistas pregam a gente ganharia prêmio E distribuição fora do Brasil a torto e a direito, como acontecem com os filmes argentinos, coreanos, chineses, etc. Minha insatisfação com a produção nacional atual é que sai tanta, tanta merda, e todos parecem cegos e ninguém move um dedo pra mudar isso.
 
Todos fazem merda demais, os americanos inclusive, e possivelmente os sul coreanos seguem fazendo. A qualidade e a diversidade surgem de uma maior quantidade q. só aparece se tem distribuição, caso contrário, morre na praia, seja bom ou ruim! E a distribuição não surge pq. se fez um bom filme, mas principalmente se a indústria do seu Pais criou condições de política audiovisual para q. ele alcance seu espaço de exibição. E padrão de qualidade qm. pode me definir? O americano? os filmes do Mojica por acaso estão dentro do q. se convencionou como padrão de qualidade? Atores mal dirigidos, produção tosca mas criatividade e inventividade excepcionais, ao meu ver é isso q. conta. E mesmo em produções fracas tecnicamente falando (som ruim, imagens desfocadas e mal iluminadas), o público pode muito bem se interessar por filmes desse tipo ("Coisas Eróticas", para citar um ex.), pode-se incluir alguns da série dogma e até o referncial técnico passa a ser discutível, pois pouco importa certos desfoques em alguns daqueles filmes. Enfim, a gente adota o padrão made in USA, e claro, aí fica fácil os americanos voltarem a se impor na Coréia do Sul, afinal, os filmes não se diferencial muito do q. eles já fazem, é mais uma questão de lobby e pressão política.

Agora, claro q. o q. estamos fazendo por aqui é muito ruim, mas não vai adiantar ser bom se não tiver um mercado regulado.
 
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