10.8.06

ULMER

Uma das coisas boas das férias é fazer o que normalmente não dá prá fazer... como ir para a TV a cabo depois do almoço e sair catando filmes para ver. Na terça descobri um documentário sobre Edgar G. Ulmer passando no canal HBO, que se passasse normalmente eu não ia descobrir(já que ingenuamente eu ligo documentários ao canal GNT). Muito bom. 'Edgar G Ulmer, the man offscreen' entrevista atores que trabalharam com Ulmer, diretores (Joe Dante, John Landis, Wim Wenders, Roger Corman), críticos de cinema (Tom Weaver, um ou dois almeãs), sua filha Arianée e, curiosamente, o próprio, com a reprodução de trechos de sua entrevista com Peter Bogdanovich publicada no seu livro de entrevistas com diretores.

O único defeito, não sei se do documentário ou da legendagem, foi a não identificação dos participantes. Se eu não conhecesse boa parte da turma de outros carnavais eu não ia saber quem eram aquelas simpáticas pessoas, podia achar que eram atores, por exemplo.
Uma das frases mais bacanas do documentário é de Joe Dante. Qualquer idiota faz um filme com quarenta milhões de dólares, difícil mesmo era fazer um filme com quarente mil, em seis dias e praticamente sem cenários. A descrição da técnica de Ulmer, de como ele fez uma das obras-primas da Universal (O Gato Preto, com o personagem de Boris Karloff inspirado no então vivo Aleister Crownley) e foi botado a correr do estúdio após roubar a mulher de um primo do dono do mesmo, Carl Laemmle, e ser obrigado a trabalhar o resto da vida no 'Poverty Row' (estúdios paupérrimos fora do eixo das superproduções), em filmes étnicos (só com negros e falados em íidiche, rodados em Nova York), e por fim na Europa, nos anos 50 (quando isso era suicídio comercial para os diretores que trabalhavam na América). Eu já tinha lido sobre essa bela saga, mas vê-la contada, com vários de seus protagonistas, sempre é legal. E tem os próprios filmes, que são ótimos. Não vi todos, mas os que eu vi (Detour, O Gato Preto) são sensacionais.

HOLMES 2005


Na mesma tarde de terça descubro uma produção recente sobre Sherlock Holmes, 'Sherlock Holmes e o caso da meia de seda'. Da BBC, de 2004, com Rupert Everett no papel título. Trata-se de uma adaptação modernosa, com Holmes perseguindo um serial killer, lendo livros de psicologia (dados pela noiva de Watson, uma milionária americana), viciado em cocaína (algo tangenciado nos livros de Conan Doyle, muito valorizado nas últimas adaptações) e totalmente assexuado (mesmo com Everett no papel principal, achei que ele ia dar umas desmunhecadas), ao contrário de adaptações recentes, em que tanto Holmes ficava correndo atrás de mulheres ou era retratado abertamente como homossexual. A gente é o que a a gente lê, Holmes, junto com Júlio Verne, foi a primeira coisa que eu li não infantil, logo sempre que eu vejo uma adaptação eu dou um jeito de ver. A versão mais curiosa que vi é uma filmagem russa, com Moriarty vivido por um ator que lembrava o dr. Mabuse dos filmes de Fritz Lang e várias (e pouco sutis) referências à decadência do capitalismo... Falando em versões, fazem alguns anos que não fazem nenhuma adaptação de Holmes com grande orçamento, hein...

PS - Agora que a mudança de formato parece que resolveu o problema que eu estava tendo com ilustrações, dei uma ilustrada nos posts anteriores. Sugiro uma olhada neles, várias colocações minhas fazem mais sentido com fotos...


Comments:
Don Thomazzo, ANIBAL, O CONQUISTADOR, que saiu em DVD pela ClassicLine, é bom?
 
Não vi... segundo o documentário não é legal, mas sem ter visto fica difícil recomendar (ou não).
 
Também sinto falta de uma adaptação mais grandiosa da literatura de Arthur Conan Doyle, ele junnto com Agatha Christie foram meus primeiros livros não infantis que li.
 
Paulo, eu posso dizer que Holmes foi a primeira série de livros que eu não li por obrigação dos pais, tenho memórias ótimas dos livros... podiam pegar Rupert Everett mesmo, mas realizar um filme 'de cinema' com toda a pompa que Holmes merece. Eu ia adorar...
 
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