6.8.06


QUADRILHA DE SADICOS

Quando eu vi a versão de Alexandre Aja para o filme de Wes Craven, que era adorado por toda a minha geração de cinéfilos (que, como eu, o viu no Supercine, no final dos anos 80), pensei que não ia ser necessario comenta-lo. Nas primeiras conversas com os amigos sintonizados com o meu gosto (Carrard, Verardi, Caraça, enfim, os suspeitos de sempre) houve o que não houve, por exemplo, na refilmagem de outro dos nossos filmes, Massacre da Serra Eletrica: unanimidade. Minha opiniao ia ser dispensavel, entao... foi so começar a ler as resenhas da imprensa especializada que vi que ia precisar sair em defesa do mesmo...

As primeiras resenhas que me irritaram vieram de sites pretensamente para jovens... nas tres resenhas se reclamou do excesso de violencia do filme. Provavelmente eles queriam que a tribo de canibais cercassem o trailer da familia no deserto e ficassem gratando bu bu bu, como indios de filmes americanos dos anos vinte e trinta, e que a familia saisse e negociasse a rendiçao deles... outro critico, que por sua antipatia a filmes de horror esta se tornando uma especie de Tuio Becker de sua geracao (com sua imortal logica de normalmente nao gosto de filmes de horror... e desse eu nao gostei tambem!!!), apelou para o antiamericanismo, numa saida a Sergio Davila (que, em seus tempos de critico na Folha, via a doutrina Bush em todos os filmes americanos que apareciam, assim como denunciou o novo Planeta dos Macacos como racista) acusou o filme de ser americanoide... sei, num filme em que os viloes existem por terem sido bombardeados por material radioativo pelo exercito americano, aonde eles acusam os EUA de serem responsaveis por eles serem daquele jeito e que um personagem literalmente maluco sai cantando o Star Spangled Banner, e ainda por cima e dirigido por um frances (e cuja equipe e majoritariamente francesa e marroquina), que tem todos os motivos do mundo para detonar a America (e detona em varios momentos) a criatura viu isso... e fogo...
De minha parte, achei o filme exemplar. Muitíssimo bem dirigido por Alexandre Aja, o primeiro grande diretor de cinema fantastico a vir da França desde o octagenario Jean Rollin. Por mais que o roteiro tenha uma falha ou outra, e que existam alguns cliches, ele dribla tudo isso com uma excepcional habilidade de criar cenas tensas, e um olho sensacional, seja para casting (todos os atores estao perfeitos, começando por Billy Drago, que eu estava com o maior medo de detonar o filme por suas, como posso falar, limitaçoes como ator. O ator que faz o papel do protagonista (Aaron Stanford), que tem sua filha sequestrada pela quadrilha, esta sensacional, numa interpretaçao que lembra muito a de Dustin Hoffman no classico Sob o Dominio do Medo. Alias, esse e um dos tantos filmes citados por Aja aqui, o outro mais lembrado e Inverno de Sangue em Veneza (numa citaçao reconhecida pelo Cristian, pois eu havia visto ali a Chapeuzinho Vermelho). Em resumo, um dos filmes do ano para quem curte cinema fantastico.

PS estou em Livramento gozando 15 dias de mais que merecidas ferias. Ao contrario das outras vezes que vim para ca o computador esta funcionando, o que significa que eu vou poder fazer atualizaçoes no blog de dois em dois dias, algo impensavel para mim sob circunstancias normais quando estou trabalhando em Porto Alegre. Meu problema por enquanto e descobrir aonde ficam os acentos nessa MERDA dessa laptop. Vou ver tambem se descubro por que nao estou conseguindo colocar fotos no meu blog, e se aprendo a linkar endereços para ca. Nao tem como ser tao dificil...

Comments:
Tava só no aguardo dessa crítica. Era quem faltava. The circle is now complete. Recebeste e-mail?
 
THOMAZ, que bom que vc postou e deu seu pitaco sobre esse filme maravilhoso que eu não imaginava que fosse causar tanta discussão. A citação do Inverno de Sangue em Veneza eu já havia notado quando vi o filme em uma pré-estréia e quando o Cristian também notou essa citação daí fiquei mais tranquilo. E tem muitos outros filmes de horror chegando nas próximas semanas como coloquei em meu post sobre o filme dos irmãos Pang. Aproveite esse merecido descanso para recarregar as energias, até mais THOMAz.
 
Fala Thomaz!!! Se está de férias em Livramento, pelo jeito desencanou de vir prá sampa... Uma pena!!! Gde abraço e boas férias!!!
 
Thomaz, também tenho umas bronquinhas às vezes quando quero postar fotos no blog. Tenta ver o código html em algum post anterior, copia e tenta dar uma sacada onde se coloca o tamanho e link da foto. Abraços e espero que tudo dê certo.

PS: VIAGEM MALDITA é mesmo fuderoso.
 
E quanto a adiconar links, caso não esteja enganado, creio que o próprio Blogger explique como se faz. Também tem a ver com códigos html.
 
Carrard, o que esta mais me irritando nessas críticas a Viagem Maldita são os argumentos cretinos. Em duas delas reclamaram que o filme é 'de direita'... quando eu elogio 'A Batalha de Argel' ou 'Night Train Murders', para ficar em dois filmes bem esquerdistas, o faço não por seu lado político, e sim por suas virtudes como cinema. Nenhum atestado ideológico salva 'Olga' de ser um filme de merda... assim como não deixo de elogiar filmes sensacionais de direita, tipo 'Vigilante', de William Lustig, melhor que qualquer filme policial de esquerda de meia tigela, tipo 'Traffic' ou 'Crash'. Mas o grande problema e que nesse caso específico 'Viagem Mortal' NÃO é um filme engajado. Bem pelo contrário, trata-se de uma produção BEM crítica ao assim chamado american way of life. Recomenda-se que essas criaturas voltem ao Mobral, ou que vão fazer essas críticas cretinas na Voz Operária...
 
Thomaz, gosto de TRAFFIC e não o considero um filme policial, mas detono CRASH e OLGA sempre que posso. Esse negócio de visão política sempre influi nos julgamentos de algumas pessoas. Sou um dos seus, isso é apenas algo a parte do filme para mim. Política é uma coisa, cinema é outra. Cada um tem a sua opinião sobre o assunto e isso não é motivo para esculhambar com qualquer filme.
 
Eu também gosto de "Traffic". E logo mais pretendo conferir "Siryana" que por incrível que pareça ainda não assisti.
 
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